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domingo, 8 de julho de 2012

Lançar um livro - a evolução


A humanidade evoluiu muito em tecnologia no século 20, embora não tenha evoluído tanto assim em termos de civilidade e humanidade.

Para tomarmos consciência dessa evolução, vamos imaginar um autor de livro há 100 anos atrás. Ele tinha que escrever sua obra com papel e caneta. As canetas ainda eram caras, embora a ponta não fosse mais de rubi, como no século 19. Mas o pior é que a escrita em papel não segue a velocidade do pensamento.

Além disso, era preciso cuidar muito bem daquele calhamaço, pois ele era, como diz o ditado popular, "filho único de mãe viúva". Se fosse perdido, todo trabalho de meses - ou até anos - estaria perdido.

Mas o mais difícil não era escrever, era publicar. Era caríssimo publicar um livro, e as poucas editoras evitavam se arriscar com autores iniciantes. As tiragens eram limitadas e ler livros era um luxo para poucos.

Depois veio a caneta esferográfica e a máquina de escrever. Essas duas invenções tiveram um impacto enorme nos costumes. Muito mais pessoas passaram a escrever cartas, postais e livros.

Foi uma revolução. Mas a grande, gigantesca revolução veio com os computadores pessoais, os PCs. Agora era possível guardar cópias em disquete dos originais. Agora era possível escolher a fonte (tipo de letra) com a qual escrever o livro.

As ondas tecnológicas vieram mais rápidas depois do computador. Houve uma nova revolução, a internet. Surgiram os notebooks, netbooks, tablets, e-readers... ufa! Estamos bem supridos de tecnologia para escrever e publicar um livro.

Como a editora pode ajudar o autor

Publicar um livro envolve as seguintes etapas:

  1. revisão ortográfica e gramatical
  2. diagramação
  3. tratamento de imagens, se houver
  4. criação da capa
  5. registro na Biblioteca Nacional (em nome da Editora ou do autor)
  6. obtenção do código ISBN

A partir daí, caso se trate de livro em papel, é preciso escolher uma gráfica para imprimir ou, se for um livro digital (e-book) é preciso escolher a livraria ou portal que irá comercializá-lo. Sempre é bom lembrar que uma coisa não exclui a outra. É normal que os livros, atualmente, sejam publicados em papel e em formato digital.

Mesmo que o autor decida publicar seu livro de modo independente (sem o selo de uma editora), vale a pena utilizar os serviços que as editoras disponibilizam, justamente para executar as seis etapas descritas acima.

A vantagem de contratar uma editora está no fato de o autor contar com um serviço especializado, dando ao seu livro - mesmo um livro independente - um aspecto profissional que causa boa impressão no leitor.


terça-feira, 6 de março de 2012

As editoras não decifraram o eBook


Duas grandes revistas brasileiras são vendidas em formato eBook, para o iPad. Uma delas cobra R$ 3,99 por exemplar e outra R$ 4,99.

Esses preços são razoáveis? Façamos uma comparação: a revista Newsweek custa U$ 19,99 por UM ANO DE ASSINATURA. Parece até piada: R$ 4,99 por exemplar versus U$ 19,99 por UM ANO DE ASSINATURA.

As grandes editoras brasileiras odeiam o formato digital. Por isso, querem forçar o consumidor ao papel, como se fosse possível frear a revolução digital em curso. Esta é a oportunidade que as pequenas editoras precisam aproveitar. E até mesmo os autores independentes, caso as editoras - grandes e pequenas - continuem a fingir que as coisas continuam da mesma forma que eram no século passado.

Os preços do formato digital não podem estar baseados nos preços do formato em papel. Não é razoável pois o principal custo das publicações em papel está no próprio papel e na tinta. Eliminados estes dois, é possível reduzir dramaticamente os preços ao consumidor - como a Newsweek fez - e ganhar na quantidade.

Oferecer conteúdo digital por preços baixos é fundamental. Além de ser uma política mais inteligente do ponto de vista comercial, é uma atitude que permite acesso de mais camadas da população aos livros e revistas. Mas provavelmente nossos editores são elitistas demais para dar importância a isso.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O retorno

Imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net
Este blogueiro foi obrigado a deixar este blog sem atualizações. Os afazeres profissionais se avolumaram. E isso é o resultado de um Brasil que cresce junto com a América Latina, enquanto a Europa experimenta o ocaso de seu poder e os EUA se equilibram à beira do abismo econômico.

Este momento é totalmente novo para os seres humanos que vivem hoje no Planeta. Mas é natural que o mundo mude e o poder troque de mãos. O Império Romano iria durar para sempre, na cabeça de alguns romanos. Mas foi extinto. Assim também a máquina de escrever seria a forma mais moderna de escrever um texto. Mas foi substituída pelo computador. Windows seria o sistema operacional definitivo para toda a eternidade. Mas o Android domina os tablets. E os tablets estão vendendo como água no deserto.

Os livros em papel também terão seu fim, talvez no final deste século, talvez antes. Mas temos muito tempo antes disso ocorrer.

Por ora, a venda de livros em papel talvez até cresça na América Latina, resultado do surgimento de uma nova classe média que, antes, estava fora da sociedade de consumo. Irônicamente, na Europa e EUA o movimento é o contrário: a classe média está se empobrecendo rapidamente.

Bem, o fato é que os clientes querem comprar da editora para a qual este blogueiro presta serviço. É um momento para as pequenas empresas crescerem.

Com a maior parte do serviço já entregue, posso voltar a escrever neste espaço.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Tablets e eReaders


Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. Essa expressão bem brasileira deve ser usada quando falamos de eReaders e tablets. Até aqui, este site tem chamado os dois dispositivos de tablets, indistintamente. A partir de agora, vamos mudar isso, separando as denominações, para melhor esclarecimento do leitor.

O que é um tablet?
É um computador portátil, com pequena memória e pequena capacidade de processamento. Em compensação, é extremamente portátil (existe essa expressão?), ainda mais do que um notebook ou um netbook É leve, pequeno o suficiente para caber no bolso do paletó, mas grande o suficiente para permitir uma boa visualização de e-mails, sites e jogos. Tem tela de LED, ou seja, é uma tela de computador em miniatura.

O tablet é usado para jogar, acessar a internet, escrever textos, ver vídeos, etc. Não tem capacidade, no entanto, para uma planilha eletrônica mais pesada, ou para um editor de vídeos, só para citar dois exemplos do que ele NÃO pode fazer. Portanto, o tablet NÃO substitui um notebook, muito menos um PC.

O que é um eReader?

eReader é um tipo especial de tablet. Para falarmos dele, é significativo dizer o que ele NÃO faz:

- eReader não permite assistir vídeos
- eReader não roda jogos
- eReader não tem tem luz na tela
- eReader não mostra cores. A tela é em preto e branco

Falando assim, a garotada que é conectadíssima ao mundo digital logo reclama: "então, não dá pra fazer nada com esse tal de eReader". Na verdade, os eReaders foram feitos para honrar o nome que têm: leitores digitais. Eles foram feitos para ler livros. Sua tela sem luz é agradável como papel. Por não terem luz são mais leves.

Então essa é a diferença entre um tablet e um eReader. Como mostra a imagem acima, até a maneira de segurar acaba sendo diferente. Note-se como o eReader está sendo segurado como se fosse um livro. Repetimos: é possível, sim, ler livros no tablet, mas é mais agradável ler num eReader.

O eReader mais famoso é o Kindle, da poderosa Amazon. Como todos os seus concorrentes, a tela é de e-ink (tinta digital), ou seja, não mostra cores e não tem luz. O problema é quando se trata de um livro com imagens coloridas. Ou contendo vídeos e gráficos interativos, como o eBook do Al Gore, que mostramos aqui. E a tendência é, justamente, a de eBooks que contenham esses elementos que não podem ser aproveitados num eReader...

Mas, no momento, 95% dos eBooks têm apenas textos e uma ou outra imagem. Então, ainda há uma longa vida pela frente para os simpáticos e despojados eReaders.



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A profissionalização do escritor


Este blogueiro escreve, no mais das vezes, ouvindo uma rádio da internet que só toca trilhas sonoras. São 24 horas por dia, todos os dias, executando trilhas de filmes estadunidenses. Realmente, podemos ter as objeções que quisermos sobre os EUA, mas uma coisa temos que reconhecer: eles sabem ser profissionais. Imaginemos um músico que recebe a encomenda de uma trilha sonora. Ele não pode descumprir o prazo e depois dizer ao diretor do filme: "ah, sabe o que houve? Não me veio inspiração, por isso não vou poder cumprir o prazo contratual". Não existe essa opção. Imaginemos um diretor de cinema, que recebeu um prazo do produtor do filme. Ele tem uma produção a dirigir, incluindo atores, cenários, câmeras, iluminadores, criadores de efeitos especiais, músicos. E um prazo a cumprir para entregar ao produtor a sua obra. E ele, em geral, entrega a obra no prazo.

A cantora Gal Costa, numa entrevista, há muitos anos atrás, confessou que não canta em casa. Disse que, na verdade, não gosta de cantar. Que o faz profissionalmente. Para alguns pode ter sido um choque. Gostamos de imaginar o artista como alguém que ama o que faz. Mas tentemos imaginar uma cantora, um cantor, que já vem pela estrada há 20, 30 ou 40 anos. Alguns cantando as mesmas músicas. Ele ou ela só poderá seguir pelo profissionalismo, e não porque aquelas músicas ainda lhe causem algum frisson, alguma emoção a mais.

O brasileiro é um sonhador. E isso é bom, desde que se trabalhe ativamente para transformar o sonho em realidade. Na área de livros, o que ocorre é que muitos autores iniciantes levam anos para escrever seus livros. E isso não é viável, nem para um iniciante, nem para um veterano. Não é viável economicamente, exceto se o autor tem outras fontes de renda. Então, não é um autor profissional, mas um autor eventual

Há coisas que levam anos para se completarem. Robert De Niro, com sua empresa Tribeca Productions, produziu um grandioso show em homenagem a Fred Mercury, que estreou em 2002. A preparação do show levou seis anos. De Niro justificou: "Esse é o tempo normal que esse tipo de coisa leva para ser feita". Só que, durante essa preparação, os produtores estavam investindo dinheiro e, portanto, De Niro, sua empresa e sua equipe estavam recebendo seus proventos mensais. Hoje, com a crise nos EUA, talvez já não fosse possível esse prazo de seis anos...

Se o escritor iniciante vive de outra coisa, então, como dissemos, ele não é escritor profissional. Não vive disso. E talvez não se importe se o seu livro vai vender muito ou pouco. Um profissional não pode se dar ao luxo de não se importar. Ele tem que se preocupar com a venda do livro, pois disso dependem seus ganhos.

Existem poucos escritores profissionais, no Brasil e no mundo. É uma questão a ser discutida. Mas o fato é que, num mundo capitalista, o artista tem duas escolhas: ser um amador que, como o próprio nome diz, ama o que faz, mas não ganha dinheiro com isso. Ou ser um profissional que se impõe prazos e metas, e consegue auferir seus proventos a partir de sua arte.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Mais leitura, urgente!!


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Para que os livros em papel e os eBooks sejam produtos mais vendidos em nosso país, é preciso estimular o hábito da leitura. O Brasil melhorou nesse quesito nos últimos anos, mas ainda está longe de países vizinhos, que cultivam a leitura como um fator fundamental de Educação.

O baixo índice de leitura explica por que os alunos do ensino fundamental e médio vão tão mal nas provas de redação do ENEM. O estado de São Paulo, por exemplo, obteve uma das mais baixas notas nesse quesito.

A falta do hábito de leitura explica também por que vemos tantos erros de português em placas, cartazes e avisos. Todos podemos errar. Não somos perfeitos. Mas, além de um certo limite, o erro denota ausência de leitura.

Será que o Brasil se diferencia de seus vizinhos por se espelhar excessivamente nos EUA? Afinal, com todos os méritos que os EUA têm, trata-se de um país que tem baixíssimo índice de leitura e baixíssima qualidade na Educação básica pública.

A maioria dos tablets tem inúmeras funções, além da leitura de livros. E boa parte dos jovens entende os livros como uma obrigação, como algo que ele tem que "encarar" quando está na faculdade.

Os jovens que agora já estão em postos de trabalho e que se formaram na década passada já encontraram uma escola - seja pública ou particular - com qualidade bastante questionável. Por isso, não é surpresa vermos placas, avisos e menus de restaurantes com erros graves de português. Também por isso é comum que haja dificuldade de intelecção de textos nas empresas.

Recentemente, o MEC lançou a campanha pelo livro popular, Nós, que militamos na área de Ebooks e livros em papel, precisamos encontrar meios de estimular a leitura. Uma iniciativa que vai nesse sentido é o Programa do Livro Popular (PLP), lançado pelo Ministério da Cultura, que visa baratear o livro e facilitar o acesso a ele por parte das camadas mais pobres da população.

Ao abrir inscrições para editoras e revendedores, o PLP também estimula essas empresas a se conectar mais com os leitores da classe C. As obras devem ter preço máximo de R$ 10,00. Para as grandes editoras, cujos custos são maiores, não é fácil chegar a esse preço. As editoras pequenas, por seus custos menores, talvez levem vantagem.

O PLP é uma boa iniciativa, mas não pode ser a única. É mister que mudemos os paradigmas dos brasileiros em relação ao livro e à leitura.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Autossuficiência

site da imagem aqui
Ministros de Comunicação da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) se reuniram para planejar a construção de uma banda larga para a região. A proposta da reunião foi do Brasil, apresentada durante o Fórum de Investimentos Brasil-Colômbia, ocorrido em agosto deste ano, em Bogotá.

Esse é um assunto importante para o Continente. Até hoje, grande parte das conexões que utilizamos passam pelos EUA. É uma situação insustentável, até mesmo do ponto de vista da defesa do país. As Forças Armadas, provavelmente por considerar que essa dependência nos torna vulneráveis em caso de algum conflito (que, esperemos, nunca ocorra). Tanto assim que o satélite brasileiro que a Telebras, em conjunto com a Embraer, irá lançar no início de 2014, tem como uma de suas funções prioritárias a comunicação militar. Além, claro, de ser utilizado no PNBL - Plano Nacional de Banda Larga.

O fortalecimento da internet na América do Sul resulta em fortalecimento de tudo o que se relaciona a ela, como é o caso dos eBooks. Os tablets têm pequena capacidade de armazenagem. Boa parte de suas funções é executada "em nuvem", isto é, recorrendo a arquivos e programas que estão guardados no ciberespaço. 

O ciberespaço não é nenhuma dimensão etérea, mas sim um conjunto de grandes computadores, chamados servidores. Boa parte desses servidores gigantescos está, hoje, nos EUA. É nessas supermáquinas que está boa parte da memória da internet. Isso não é mais aceitável. É fundamental que o Brasil, assim como a América do Sul, assumam no mundo virtual a posição que já têm no mundo político-econômico. Foi-se o tempo em que éramos apenas um quintal dos EUA. Hoje o Continente Sul-Americano é uma das regiões que mais cresce no mundo. No Brasil, por exemplo, quase dobrou o número de smartphones em um ano.

Então, é necessário que um passo importante seja dado em relação à internet, para que possamos universalizar o acesso à web, a mídia de todas as mídias.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Brasil acelera

Imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net

Segundo pesquisa do Instituto GfK, a venda de smartphones cresceu bem acima da média mundial nos primeiros 6 meses de 2011. A média mundial já é alta: 69% em comparação com 2010. Pois o Brasil ultrapassou essa marca e bateu em 80%, ou seja, quase dobrou a venda desses aparelhos.

Não há muitas dúvidas de que o mesmo ocorrerá com relação aos tablets. O Brasil, o jovem brasileiro, está como que uma esponja pronta para absorver as novas tecnologias digitais. E aqui falamos do jovem de qualquer classe social.

Como já dissemos em outros artigo, há uma tendência de crescimento ainda maior dos tablets, já que o Governo Federal retirou vários impostos do produto ao classificá-lo como um computador (o que, de fato, ele é). Com isso, o preço se reduziu. E se reduzirá ainda mais com o estímulo à fabricação dos tablets em nosso país, inclusive o iPad. O detalhe impressionante é que o iPad será, PELA PRIMEIRA VEZ, fabricado num país ocidental. Então, esqueça aquele bordão usado no passado, "não compro nada feito na China, Tailândia ou Indonésia". O iPad é feito por lá. Agora será fabricado também no Brasil, por um acordo do Governo com a empresa FoxConn, de Taiwan.

Mas, voltando à aceleração brasileira, ela é o resultado de uma conjunção de fatores, entre eles a crise na Europa e nos EUA. É natural que as empresas multinacionais queiram investir num país - e num Continente - que está navegando bem na tempestade. Toda empresa pensa em investir num mercado promissor "antes que meu concorrente faça isso". Então, passa a ser uma corrida pelos mercados. Ganha mais quem chegar primeiro.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O livro em papel e o eBook

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Ler eBooks, para mim, tornou-se mais confortável do que ler livros em papel. Essa descoberta fiz recentemente, quando encontrei meu querido livro Introdução à Relatividade Especial, de Robert Resnick, Editora Polígono. Um livro de uma didática ímpar, tornando simples aprender a teoria de Einstein que, afinal, é simples... depois de formulada, claro!

Um livro deve ser seguro com as duas mãos, e mantido como uma letra V não muito aberta, para não esgarçar as costuras. Sei bem que hoje as pessoas chegam a dobrar o livro ao contrário, com a capa e a contracapa se tocando, viradas para dentro, como se o livro fosse uma réles revista. Mas isso destrói o livro.

Meu Introdução à Relatividade Especial não está tão bem conservado, devido às inúmeras mudanças de residência deste 35 anos em que ele está comigo. Mas ainda está com a costura firme, e as páginas ainda com uma boa textura.

Pois bem, comecei a relê-lo. Mas cansei... Meus olhos estão excessivamente acostumados com as telas, e desacostumaram-se do papel. Depois de algumas tentativas de lê-lo, percebi que nem mesmo tenho uma mesa de escritório na qual pousá-lo, para não cansar as mãos. Só tenho a mesa do computador e a da cozinha. Logo pensei: "Se eu o encontrasse em formato digital, seria bom. Colocaria o livro em papel na estante, para poder olhar para ele, de vez em quando, e leria o eBook.

Meu Kindle é tão leve, e posso segurá-lo com apenas uma das mãos. Ler nele é mesmo muito confortável. Utilizo até mesmo a tela do computador para ler, mormente para ler notícias. Então, estava decidido: Einstein me revelaria seus segredos novamente, na releitura do livro. Só que desta vez seria em formato digital, comprado diretamente da editora.

Infelizmente, a Editora Polígono parece não existir mais. Pelo menos, não a encontrei no Oráculo (Google). Ela é mencionada apenas no excelente site de livros usados Estante Virtual. Assim, meu plano de comprar o eBook falhou. Então, quem sabe, farei um esforço para reler o livro em papel mesmo. Einstein vale a pena, e Robert Resnick foi muito feliz ao escrever essa obra.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

As crianças e a era digital

fotógrafo: Arvind Balaraman
Este site tem contato com professores, tanto de escolas privadas como da rede pública. Uma professora de escola pública estadual nos contou o seguinte: ela ajudou os alunos de uma de suas classes a escrever as famosas cartas ao Papai Noel, pedindo um presente de Natal. O resultado não surpreendeu: praticamente todos os pequenos (de 8 e 9 anos) pediram tablets ao bom velhinho.

Não é à toa que o comércio varejista está a prever que este será o "Natal dos tablets". Com seu preço bem menor do que o de um computador (1), os tablets permitem navegar na internet, receber emails, conversar ou jogar online com amigos, ouvir música, ler livros e, conforme o modelo, assistir vídeos.

O que está ocorrendo é que as crianças que já nasceram na era digital não têm medo de explorar esse mundo fascinante que a internet nos disponibiliza, enquanto os adultos (principalmente os mais velhos) têm uma grande resistência em aprender mais sobre computadores, tablets e internet.

Os tablets que as crianças desejam não é o iPad ou o Galaxy, com preços estratosféricos e totalmente fora da realidade do país. O que elas querem é um tablet, ponto. Elas anseiam por estarem conectadas, estarem em contato com seus amigos que já têm tablets.

Essas crianças e jovens navegam na lan-house, no smartphone ou no computador de casa. A internet já faz parte da realidade deles, assim como a luz elétrica faz parte da realidade dos adultos. Assim como os mais velhos não concebem a possibilidade de ficarem sem serviço de eletricidade, os jovens não aceitam a possibilidade de ficar desconectados da internet.

Por isso, a "onda" dos tablets é avassaladora. No caminho, essa tsunami varrerá aquelas empresas que não se prepararem adequadamente para essa nova era em que a tecnologia digital dominará a tv, o rádio, a telefonia, o jornalismo e a publicação de livros.

domingo, 20 de novembro de 2011

Em bom português - Cuidado com as gírias

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As gírias fazem parte de nosso dia a dia. Não há problema nenhum em seu uso na linguagem falada.

É claro que, naquela apresentação para a diretoria, o funcionário não usará gíria, exceto se o ambiente da empresa for muito, muito informal, o que não é comum. Mas esse mesmo funcionário poderá usar gírias e expressões quando estiver entre amigos e familiares.

Gírias são palavras inventadas ou modificadas, ou somente modificadas em seu conteúdo. Alguns exemplos:

- Irado = excelente

- Demorô = gostei

- Vê se pode! = mas que absurdo!

- Despencou = caiu
Na linguagem escrita é preciso limitar ao máximo o uso de expressões e gírias, pois elas são diferentes conforme a região do Brasil, e conforme a época. Em um ano ou dois, uma gíria pode cair em rápido desuso. Um livro (em papel ou digital) que contiver essas expressões ou gírias se tornará obsoleto, datado. Ou então só será atraente para aquelas regiões nas quais as expressões são usadas.

Nas revisões de livros ficcionais, é preciso alertar o autor para esses fatos. E, na diagramação dos livros, é necessário colocar as gírias em itálico, pois se o leitor não conhecer aquela gíria ou expressão, pelo menos o itálico irá alertá-lo de que se trata de português coloquial.

Ainda falando de livros ficcionais, é aceitável que os diálogos incluam gírias e expressões, quando estão na boca de um personagem que pede esse tipo de linguajar. No entanto, deve-se evitar gírias quando é o próprio autor se expressando como narrador.

Mas, atenção. Que este artigo não sirva de pretexto para preconceito linguístico. Lembremo-nos sempre de que existem vários formatos do idioma português - ou de qualquer outro. Não podemos considerar que o modo popular de se expressar seja "errado". Sobre isso, vamos postar novamente o vídeo da Editora Abril, que fala sobre a exposição Menas, patrocinada por ela.

sábado, 19 de novembro de 2011

A Apple e o mundo real


É preciso reconhecer que a Apple é uma empresa de sucesso. Ela faz produtos "exclusivos", para um público exclusivo.

Quando falamos do iPad, o tablet da Apple, falamos de sofisticação, design e qualidade. Mas há, na Apple, uma atitude de separatismo que pode levar a empresa a declinar num mundo em crise.

O isolacionismo da Apple foi abordado, nesta semana, numa matéria do Portal iG, com o título: Apple é uma das empresas mais fechadas do mundo. Um trecho da matéria:
Quem visita as maiores feiras de tecnologia do mundo, como a Consumer Electronics Show, realizada todo início de ano em Las Vegas (EUA), vê os lançamentos das maiores fabricantes de computadores, smartphones e tablets, mas sente falta de uma empresa. Apesar de haver estandes abarrotados de capas protetoras e acessórios para o iPhone e o iPad, a Apple nunca está presente na feira. Já as concorrentes, como a Samsung e a LG, usam essas grandes feiras como vitrines para seus principais lançamentos. Enquanto isso, a Apple apresenta seus produtos em poucos eventos, alguns deles em sua própria sede, em Cupertino (EUA).
Tudo na Apple é separado dos "outros". A ideia é manter os produtos da Apple no Olimpo dos desejos de consumo. Mas o risco é que eles ficam por lá mesmo, no Olimpo, enquanto as pessoas pensam: "O iPad é o máximo. Mas, por enquanto, vou comprar o Kindle Fire".

A empresa é de temperamento difícil até mesmo quando tem que se submeter às legislações dos países nos quais atua. Aqui no Brasil, na África do Sul e na Costa Rica a empresa não pode vender seus jogos, pois ela se recusa a aceitar a avaliação dos governos quanto à classificação indicativa desses jogos. A Apple quer fazer, ela mesma, essa classificação. Ou seja, ela quer ser um poder acima dos governos.

O fato do iPad usar um sistema "exclusivo" (outra vez essa palavra), ao invés do sistema universal Android, cria um muro entre o iPad e milhares de aplicativos para tablets disponíveis no mercado. Até mesmo a poderosa Amazon usa o Android em seu Kindle Fire.

Não é impossível ler, no iPad, livros eletrônicos baixados da web. Mas é difícil, requer um conhecimento que boa parte dos leitores de eBooks não têm. E nem querem ter. Tudo o que eles querem é ler o livro, ora bolas!

Então, repetimos vaticínio que já fizemos aqui: a Apple tem que tomar cuidado com tanta exclusividade. De tão exclusiva, a empresa pode perder as oportunidades que se apresentam a quem adota uma atitude INCLUSIVA.


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Truques e dicas - pdf com links no LibreOffice

Já dissemos aqui que pdf não é eBook. O eBook é uma experiência de leitura. Essa experiência só é possível em certos formatos de arquivo como, por exemplo, o formato epub. Trata-se de um formato que, rapidamente, está se universalizando, podendo ser lido em quase qualquer plataforma.

Mas a verdade é que até mesmo grandes redes vendem eBooks em formato pdf! Então, paciência, vamos pelo menos aprender a melhorar nossos eBooks neste formato, mesmo não sendo o ideal.

Se você colocar links internos, já será uma grande sofisticação em seu livro digital.

Um software do qual já falamos aqui e que pode ajudar a produzir um pdf com links internos, é o LibreOffice. Ele pode ser baixado gratuitamente aqui. Já vem com a nova ortografia e com muitas ferramentas úteis. Uma dessas ferramentas é a exportação em pdf.

O pacote do LibreOffice inclui, além do excelente editor de textos, software para apresentações, planilha eletrônica, desenho vetorial, fórmulas matemáticas e banco de dados. Todo o pacote é compatível com o Microsoft Office, ou seja, você pode salvar os arquivos em formato doc, xls, ppt, etc. A Microsoft retribuiu incluindo, em seu pacote, os formatos do LibreOffice. Ou seja, o LibreOffice e o Microsoft Office são totalmente compatíveis.

Em minhas máquinas não uso mais o Microsoft Office, pois não gostei do visual confuso das últimas versões. Fiquei com o LibreOffice, gratuito, simples e amigável.

Uma vez instalado o LibreOffice, abra seu livro (em formato doc, por exemplo) com o Writer, o editor de texto do pacote LibreOffice. Aqui está uma página de índice, que será nosso exemplo:

Clique nas imagens para ampliá-las.

O livro ficará melhor se o índice for "clicável", isto é, se o leitor puder clicar e imediatamente ir para o capítulo que ele deseja ler. É o tal link interno. O primeiro passo para isso é criar marcadores, que nada mais são do que destinos de possíveis links. Em nosso caso, os marcadores ideais são os títulos dos capítulos. Então vamos ao capítulo um para criar um marcador.



Abre-se uma janela na qual você dá um nome ao marcador. Sugiro evitar letras maiúsculas, acentos, cedilhas ou espaços, pois estes atributos são incompatíveis com certas sintaxes de computador e podem causar problemas. No nosso caso, optamos por batizar o marcador do Capítulo 1 com o criativo título de capitulo1.

 
Pronto, agora já temos um destino para nosso link. Vamos então para o índice. Selecionamos o termo "Capítulo 1", e criamos um link interno para o marcador capitulo1.


Não esquecendo de manter o texto "Capítulo 1", como podemos ver do lado esquerdo. O programa automaticamente muda o formato do texto para sublinhado, mas podemos alterar isso à vontade.

Repetimos esta operação para os outros capítulos e já temos, assim, uma navegação razoável em nosso eBook.

O próximo passo é exportar para pdf. Vamos para o menu Arquivo > exportar para pdf. Abre-se uma janela com as opções de exportação.


Lembremo-nos de habilitar a opção "Exportar marcadores", que se encontra na aba "Geral". E também é preciso, na aba "Vínculos", habilitar três opções de exportação relacionadas aos links internos, como vemos na figura:


Pronto! Ao abrirmos nosso arquivo pdf para checar, constatamos que ele tem os links no índice que nos levam, num clique, para os capítulos correspondentes.



terça-feira, 15 de novembro de 2011

Convergência para onde?

Imagem: Michal Marcol


Em 2016, segundo as metas oficiais, a TV digital estará implantada em todo o Brasil. Mesmo que haja algum atraso, terminaremos a década com a TV digital em pleno funcionamento.

Estamos, portanto, caminhando para o fim das "emissoras" de TV. Aliás, as antenas já não são mais tão fáceis de se ver nos telhados das casas, pois boa parte dos lares têm tv a cabo.

Já tivemos o fim da máquina de escrever e dos antigos LPs, entre outros itens. Agora caminham para a extinção o CD, o telefone fixo, a televisão aberta e as câmeras fotográficas com filme.

Temos que citar também o previsível fim das videolocadoras, com o advento das empresas de filmes online. Os cinemas também terão seu público reduzido, pois muitas famílias terão a opção de assistir filmes no conforto do lar, na TV ultra-hiper-HD de muitas, muitas polegadas.

O livro em papel ainda permanecerá muitos anos, mas agora convivendo com o livro digital, o eBook. No futuro, talvez na próxima década, a tendência é a de que o livro em papel fique restrito a bolsões culturais mantidos por aficcionados. Assim como o livro manuscrito seguiu, por algum tempo, lado a lado com o livro impresso, também o livro em papel seguirá com seu mercado, ao lado do eBook.

Mas, respondendo à pergunta que dá título a este artigo, a convergência de todas as mídias é para uma única: a internet. Não é à toa que a web é chamada de "a mídia de todas as mídias". Para ela convergirão rádio, tv, cinema, telefonia, fotografia, literatura, educação... esqueci alguma coisa? Ah, sim, também para a internet convergirão revistas, jornais, noticiários e veículos informativos em geral. No Brasil e no mundo, a venda de jornais e revistas decresce.

Por isso, vamos nos acostumar à ideia de que assistiremos à televisão por sinal de internet, assim como por ela ouviremos rádio, leremos jornais e faremos cursos à distância e efetuaremos ligações telefônicas. Com vídeo, claro!

Nesse novo mundo, os tablets serão companheiros de bolso e de bolsa. Não sairemos de casa sem eles.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Paraquedas e paradigmas

Tablets caindo do céu

Imagem criada por RLocatelli a partir de uma foto original de hotblack
O site techtudo nos informa que uma ONG decidiu jogar tablets de paraquedas para crianças do "terceiro mundo".

Segundo a notícia, a "...OLPC (sigla da ONG “Um Laptop por Criança”) pretende enviar tablets para crianças de países em desenvolvimento e testar a capacidade delas interagirem com os dispositivos, sem professores, manuais, cursos, nada. A ideia é medir a capacidade de interação da criançada com os equipamentos e ver se elas conseguem não apenas aprender a usá-los sozinhas, mas ensinar aos demais.

Depois de caírem do céu em paraquedas, os tablets da OLPC serão absorvidos pelas comunidades remotas. Aí, um ano depois, membros da OLPC irão aos lugares estudar e analisar os efeitos da chegada dos tablets na educação das crianças."

Isso nos faz pensar: será que essas ONGs do "primeiro mundo", ou seja, dos países que estão afundando na crise econômica, ainda se acham os donos do mundo? E será que eles ainda acham que a capital do Brasil é Buenos Aires?

Claro que é louvável a preocupação com as crianças e sua evolução. Mas não parece algum tipo de experiência feita com as crianças, para ver no que dá?

Os países pobres já não são tão pobres assim. Por exemplo, certas regiões da África fizeram do celular o seu banco. As transações comerciais são feitas de forma eletrônica, transferindo-se créditos do celular do comprador para o celular do vendedor, dispensando a intervenção de bancos comerciais. Muito inteligente e muito revolucionário. Você acha que esses africanos precisam de tablets jogados de paraquedas? Eles provavelmente já os têm, made in China. Assim como já usam geradores solares de eletricidade e lâmpadas de LED, que são as lâmpadas mais avançadas em uso atualmente.

Outras perguntas: como garantir que os tablets caiam nas mãos das crianças, se eles serão simplesmente jogadas de paraquedas? Qual o idioma do sistema operacional dos tablets? O idioma da comunidade? Ou o inglês? A quantidade de tablets será suficiente para a comunidade sobre a qual eles serão jogados? Ou as crianças terão que lutar entre si para conseguir ter um?

Melhor fez a Índia que criou o Aakash, um tablet de U$ 35,00, acessível a boa parte da população do país.

Melhor fez o Brasil que desonerou os tablets e já se prepara para fabricá-los no país, inclusive o iPad.

Não são ONGs de países do "primeiro mundo" que melhorarão o mundo. A própria população dos países em desenvolvimento encontrará seus caminhos, sem precisar ser tutelada por ninguém.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Publicar um eBook (ou livro em papel) - Parte 2

Vender é uma questão de comunicação

Imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net
Vivemos num mundo que tem duas características básicas: é um mundo capitalista e é um mundo com bilhões de seres humanos.

O autor de livros é, em geral, um ser solitário. Vem-me à mente a imagem de uma pessoa (homem ou mulher) escrevendo na madrugada, com uma xícara de chá ao lado do computador, e, sentado no móvel ao lado, um gato com os olhos meio abertos, meio fechados.

Os autores sabem como escrever livros, mas quase nunca sabem como vendê-los. A exceção, como já foi dito aqui, fica por conta dos professores que escrevem livros para apoiar suas aulas. Ou do consultor de empresas que escreve uma obra para entregar aos executivos a quem presta serviço. Ou outros casos semelhantes.

Vender exige comunicação, divulgação, parceria. Seja a venda de um livro em papel ou de um eBook. Em se tratando de um livro em papel, os pré-requisito são:

- que o livro esteja escrito em bom português;
- uma capa bem feita e atraente;
- que seja um livro registrado na Biblioteca Nacional, com o número de ISBN e código de barras;
- que o preço seja acessível, mesmo reconhecendo-se que os custos do livro em papel são altos.

Mas esses são apenas os pré-requisitos. Eles não garantem nada. Tendo-os, é preciso batalhar. Se o livro está sendo vendido por uma editora, ela provavelmente já terá uma distribuidora, um site de vendas e, além disso, estará atenta aos editais do Ministério da Educação, que é o maior comprador de livros do Brasil, inclusive livros não-didáticos, mas que tenham seu valor para a evolução dos estudantes.

Para um autor ou uma pequena editora divulgar um livro, é preciso entrar nas redes sociais: Facebook, Orkut, Twitter, Lindedin, e outras. É preciso ter um site, blogs. É preciso ir a todo lugar com dois exemplares no bolso ou na bolsa, pois nunca se sabe quando se irá cruzar com alguma personalidade ou jornalista que pode ajudar a divulgação do trabalho.

Há também a opção de venda pelas grandes redes nacionais ou internacionais (Amazon, por exemplo). Essa associação pode ser muito interessante, pois o autor ou a editora entram com a obra e a grande rede entra com a comunicação. Proximamente abordaremos esse tipo de parceria produtiva.


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Publicar um eBook (ou livro em papel) - Parte 1


Site dessa imagem aqui

Daremos aqui, algumas orientações para publicar um livro digital, seja para autores, seja para editoras.

Na verdade, o eBook não é um livro em formato digital. Ele é outra coisa, muito maior. Uma nova forma de literatura, de arte, de expressão. Mas, vá lá, nestes primeiros tempos, os autores e editoras ainda tentam fazer com que ele se pareça com um livro, como mostra a imagem deste artigo.

O primeiro passo, obviamente, é escrever o livro, levando em conta o público-alvo, o tipo de linguagem que será utilizada e o potencial de vendas... Bem, cancelemos esses itens. O autor, em geral, não leva em conta nada disso. Ele simplesmente sente necessidade de se expressar, e escreve o livro. Cabe à editora, então, avaliar a qualidade do livro e sua viabilidade econômica.

O segundo passo do autor é tomar a decisão: publicar de maneira independente, "por conta própria", ou procurar uma editora. Detalhe: o autor pode utilizar os serviços de uma editora e, mesmo assim, publicar de maneira independente. É uma ótima alternativa. Vamos detalhar as três opções:

Na primeira, o autor não procura uma editora. Ele mesmo formata o livro e, caso seja um livro em papel, manda imprimir numa gráfica. Nestes casos, não costuma haver revisão ortográfica e gramatical, nem contratação de um capista profissional, nem diagramador. O livro também não recebe o código de barras, pois o autor não sabe que pode registrá-lo como pessoa física. Ao não ter o código, fica praticamente impossível vendê-lo em grandes lojas ou livrarias.

Quando o autor, mesmo com a intenção de publicar de modo independente sua obra, procura o auxílio técnico de uma editora, muitas coisas tendem a melhorar:

- o livro recebe o código de barras, pois a editora orienta o autor a registrá-lo, para que a obra tenha um número no ISBN (catálogo internacional de livros);

- a capa fica melhor, pois que desenhada por um profissional da área;

- a diagramação fica mais profissional, proporcionando uma experiência de leitura agradável.

- a qualidade de impressão fica melhor, pois a editora tem relacionamento com gráficas que trabalham com essa qualidade;

- a chance de o autor vender melhor seu livro aumenta, com as orientações da editora.

Claro que estamos supondo uma editora responsável e séria. Nem todas são. Há maus profissionais em todas as áreas, de motoristas de táxi a cirurgiões-dentistas. A área de editoras não é exceção.

A terceira opção, em que o autor decide publicar sua obra pela editora, tem todas as vantagens elencadas acima e mais algumas:

- a editora poderá vender seu livro em sites; poderá entregá-lo a uma distribuidora. Tudo isso amplia o volume de vendas;

- a editora poderá inscrever o livro em licitações públicas ou privadas. Isso abre a possibilidade de um volume de vendas muito grande;

- a editora poderá inscrever o livro em concursos literários e dividir o prêmio com o autor.

- o livro terá mais credibilidade, ao ostentar o logotipo de uma editora em sua capa e contracapa.
No próximo artigo, vamos falar de um assunto que interessa às editoras e aos autores: como vender um livro? Como fazer a tão necessária ponte de comunicação entre o livro e os leitores em potencial?



domingo, 6 de novembro de 2011

Impressões de BH



Estou compondo este artigo do blog num espaço público de BH, usando meu netbook e a excelente conexão wireless que a prefeitura da cidade disponibiliza por toda uma área.

Comigo tenho vários equipamentos eletrônicos. Façamos um inventário: netbook, kindle, mp3 player. celular, pendrive e um relógio com mostrador digital.

Em minha estada na capital mineira encontrei um garoto de 8 anos que tem dois notebooks antigos que seus parentes passaram para ele ao comprarem equipamentos mais atuais. Tem também um tablet que ele usa para jogar e colecionar figurinhas virtuais.

Mônica, uma bela moça de origem libanesa, usa um poderoso PC em seu trabalho e outro, também potente, em casa. Prova viva de que o PC não morreu. Bem longe disso. Ela também usa notebook, smartphone, etc. Sua mãe adora jogos de computador, preferencialmente corrida de automóveis. Também assiste a vídeos do Youtube, e se diverte muito com eles. 

Nos shoppings, como o Diamond Mall, jovens, crianças e adultos usam seus celulares e smartphones para combinarem passeios. Nos faróis, não se vê mais as crianças pobres fazendo malabarismo. Perguntei a um taxista onde elas estavam, já que eram comuns em todos os semáforos do centro. Ele me respondeu:
- Estão na escola, doutor. É o Bolsa-Família. Se elas não estiverem frequentando a escola e a fiscalização descobrir, a família perde o Bolsa-Família.
Aproveitei o início do papo já entabulado e comentei:
- O GPS facilitou a vida dos taxistas, não?
- E como, doutor. A cabeça do taxista não precisa mais guardar nome de rua e localização. Assim, fica mais livre para se concentrar no trânsito.

Os mineiros são muito acolhedores. São muito inteligentes e percebem o que há por trás dos fatos e das pessoas, mesmo quando fazem um ar de desentendidos.

Belo Horizonte conectada não perdeu seu ar de Belo Horizonte. Apenas o atualizou. O sotaque é o mesmo, agradável. Completamente diferente do sotaque do interior de Minas. As ruas continuam bonitas e arborizadas, pelo menos no centro e Savassi. Mas as pessoas têm mais informação. Seja o garoto de 8 anos que tem um tablet e dois notebooks, seja o taxista, seja a moça de origem libanesa e sua família. Claro, isso não quer dizer que as pessoas efetivamente se informarão mais. Mas pelo menos têm uma porta aberta para isso.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Inclusão digital avança

Brasil já é o terceiro no mundo
em número de internautas
Créditos da imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net
Levantamento do Instituto Ibope Nielsen Online mostrou que o Brasil superou a Alemanha em número de pessoas com acesso à internet. Chegamos a 46,3 milhões de internautas.

No ano passado, já havíamos superado a França e o Reino Unido. Dos BRICS (conjunto de países emergentes que inclui Brasil, Rússia, China e África do Sul) nós estamos na frente em crescimento do número de computadores. Os índices brasileiros se superam a cada ano.

Estamos atrás apenas dos EUA, campeoníssimos, com 203 milhões de usuários da web, e do Japão, que ocupa o segundo lugar com 62 milhões de internautas. China e Índia, embora tenham populações que superam 1 bilhão de pessoas, são países de famílias predominantemente pobres. Por isso, ficam para trás nessa corrida pela inclusão digital. Rússia e África do Sul, além de também sofrerem com o alto índice de pobreza, têm populações bem menores que os dois gigantes asiáticos.

O número de residências brasileiras com acesso à web subiu de 48 milhões, em 2010, para 58 milhões no terceiro trimestre de 2011, um crescimento assombroso, que corre junto com o crescimento do número de computadores. Esse foi o maior crescimento anual já registrado na década.

Internet fora de casa

Quando se inclui, nesse levantamento, os acessos à web no trabalho, na escola, em lan houses, etc, os números são ainda mais impressionantes: atingimos 77,8 milhões de internautas!

É líquido e certo que esses internautas que ainda não têm internet em casa almejam esse acesso. Certamente esse Natal será um Natal eletrônico, em que muitos computadores, tablets, notebooks e netbooks sairão das prateleiras das lojas para as residências da classe média emergente.

Uma outra possibilidade, para os jovens que já têm um aparelho portátil mas ainda não têm internet em casa, é o acesso sem fio em livrarias, rodoviárias e locais públicos. Por exemplo, a rodoviária de Belo Horizonte tem internet sem fio de alta velocidade oferecida pela prefeitura. Outro exemplo é a Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, que tem internet sem fio gratuita oferecida pelo governo do Estado.

Há também muitas pequenas cidades que oferecem acesso à web, gratuitamente, a todos. Damos aqui o exemplo da cidade de Pedreira, interior de São Paulo. A prefeitura provê, a todos os 45.000 habitantes, internet sem fio.

Isso representa um mercado potencial de fazer cair o queixo de todos os comerciantes. Imagine-se as possibilidades de venda de livros eletrônicos a essa população ávida por desbravar um novo mundo que, na década passada, estava completamente fora de suas capacidades financeiras.

Até as novelas começam a focar a nova classe média
Potencial de expansão

Estamos entrando na segunda década do século. A ascensão do Brasil parece acelerar ainda mais. Enquanto a Europa tenta sair de uma crise infindável, o Brasil se dá ao luxo de fazer duras exigências para permitir que empresas automobilísticas se instalem aqui, o que mostra a pujança de nosso país.

Para as editoras, é um momento mágico, de conquistar esses novos clientes, oferecendo preços competitivos, tanto para livros em papel, como para os eBooks. No caso dos eBooks, as pequenas editoras estão em vantagem, pois seus custos são menores e elas são capazes de ter um relacionamento mais próximo com os clientes.

Aliás, como pode ser esse relacionamento? Falaremos disso em breve.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Os autores nacionais

Complexo de vira-latas no mundo dos livros


Muito se fala do chamado complexo de vira-latas do brasileiro. Essa expressão foi criada pelo dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, e caiu como uma carapuça naquelas pessoas que acham que só o que é bom é o que vem de fora.

Tempos atrás, no auge da era Harry Potter, um autor brasileiro, com mais de 10 livros publicados, com um público cativo, tentou, em várias livrarias, colocar algum cartaz ou propaganda de seu novo livro. As livrarias se recusaram. Não era possível. Não havia espaço. Quando ele argumentou que havia espaço para colocar caldeirões de Harry Potter nos corredores da livraria,  e cartazes do livro O Senhor dos Aneis pendurados por toda a loja, os gerentes das livrarias respondiam algo como:

- Ah, mas é o Harry Potter, né?

Para o Harry Potter, que vem da Europa, há espaço de sobra. Mas um autor brasileiro, com venda garantida, não pode contar com isso. Para romper esse bloqueio, é preciso ser um Jô Soares, um Paulo Coelho, ou então algum artista. Mesmo assim, eles não têm o destaque que os livros vindos de fora têm.


Este blogueiro não tem nada contra Harry Potter. Ao contrário, gosto muito da série, que revela, entre outras coisas, os meandros das relações humanas, mormente as relações entre o professor e o aprendiz. Gosto muito do Senhor dos Aneis, um livro que conseguiu condensar boa parte da mitologia nórdica, o que não é pouca coisa.

Mas gostaria de ver os autores brasileiros tratados com a mesma deferência dos estrangeiros. Algumas livrarias nos dão a nítida impressão que priorizam os romances vindos da Europa ou dos EUA, mesmo que sejam de baixa qualidade.

É impressionante como ainda temos esse complexo de vira-latas, mesmo com o Brasil sendo respeitado e admirado em todo o mundo, enquanto a Europa naufraga em dívidas. É hora de eliminarmos esse cacoete do passado. Somos uma das nações mais poderosas do mundo. Somos o terceiro país do mundo em acesso à internet, à frente da Alemanha e atrás apenas da China e dos EUA. Enquanto a Europa vai de pires na mão ao FMI, o Brasil se dá ao luxo de fazer duras exigências para autorizar empresas a se instalar em nosso país.

Esperemos que o eBook democratize mais o acesso dos autores brasileiros ao público leitor. Ao que parece, isso tem todas as chances de acontecer. O próximo Natal será, no dizer de alguns, "o Natal dos tablets". Os preços desses computadores ultra-portáteis estão caindo, ainda mais agora com a redução de impostos.

A Europa e os EUA vivem uma crise econômica muito grave. Essa crise, certamente, se refletirá numa crise de criatividade. Teremos menos autores estrangeiros lançando obras com uma megaestrutura de apoio logístico e de marketing. Até nos filmes sentiremos isso. Este ano não tivemos James Bond!! Pura falta de recursos.

Como dizem os chineses, crise é oportunidade. Que esta dificuldade da Europa e dos EUA sejam uma porta aberta para os autores brasileiros ganharem espaço nos corredores das livrarias brasileiras.