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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O retorno

Imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net
Este blogueiro foi obrigado a deixar este blog sem atualizações. Os afazeres profissionais se avolumaram. E isso é o resultado de um Brasil que cresce junto com a América Latina, enquanto a Europa experimenta o ocaso de seu poder e os EUA se equilibram à beira do abismo econômico.

Este momento é totalmente novo para os seres humanos que vivem hoje no Planeta. Mas é natural que o mundo mude e o poder troque de mãos. O Império Romano iria durar para sempre, na cabeça de alguns romanos. Mas foi extinto. Assim também a máquina de escrever seria a forma mais moderna de escrever um texto. Mas foi substituída pelo computador. Windows seria o sistema operacional definitivo para toda a eternidade. Mas o Android domina os tablets. E os tablets estão vendendo como água no deserto.

Os livros em papel também terão seu fim, talvez no final deste século, talvez antes. Mas temos muito tempo antes disso ocorrer.

Por ora, a venda de livros em papel talvez até cresça na América Latina, resultado do surgimento de uma nova classe média que, antes, estava fora da sociedade de consumo. Irônicamente, na Europa e EUA o movimento é o contrário: a classe média está se empobrecendo rapidamente.

Bem, o fato é que os clientes querem comprar da editora para a qual este blogueiro presta serviço. É um momento para as pequenas empresas crescerem.

Com a maior parte do serviço já entregue, posso voltar a escrever neste espaço.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Brasil acelera

Imagem: jscreationzs / FreeDigitalPhotos.net

Segundo pesquisa do Instituto GfK, a venda de smartphones cresceu bem acima da média mundial nos primeiros 6 meses de 2011. A média mundial já é alta: 69% em comparação com 2010. Pois o Brasil ultrapassou essa marca e bateu em 80%, ou seja, quase dobrou a venda desses aparelhos.

Não há muitas dúvidas de que o mesmo ocorrerá com relação aos tablets. O Brasil, o jovem brasileiro, está como que uma esponja pronta para absorver as novas tecnologias digitais. E aqui falamos do jovem de qualquer classe social.

Como já dissemos em outros artigo, há uma tendência de crescimento ainda maior dos tablets, já que o Governo Federal retirou vários impostos do produto ao classificá-lo como um computador (o que, de fato, ele é). Com isso, o preço se reduziu. E se reduzirá ainda mais com o estímulo à fabricação dos tablets em nosso país, inclusive o iPad. O detalhe impressionante é que o iPad será, PELA PRIMEIRA VEZ, fabricado num país ocidental. Então, esqueça aquele bordão usado no passado, "não compro nada feito na China, Tailândia ou Indonésia". O iPad é feito por lá. Agora será fabricado também no Brasil, por um acordo do Governo com a empresa FoxConn, de Taiwan.

Mas, voltando à aceleração brasileira, ela é o resultado de uma conjunção de fatores, entre eles a crise na Europa e nos EUA. É natural que as empresas multinacionais queiram investir num país - e num Continente - que está navegando bem na tempestade. Toda empresa pensa em investir num mercado promissor "antes que meu concorrente faça isso". Então, passa a ser uma corrida pelos mercados. Ganha mais quem chegar primeiro.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Os autores nacionais

Complexo de vira-latas no mundo dos livros


Muito se fala do chamado complexo de vira-latas do brasileiro. Essa expressão foi criada pelo dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, e caiu como uma carapuça naquelas pessoas que acham que só o que é bom é o que vem de fora.

Tempos atrás, no auge da era Harry Potter, um autor brasileiro, com mais de 10 livros publicados, com um público cativo, tentou, em várias livrarias, colocar algum cartaz ou propaganda de seu novo livro. As livrarias se recusaram. Não era possível. Não havia espaço. Quando ele argumentou que havia espaço para colocar caldeirões de Harry Potter nos corredores da livraria,  e cartazes do livro O Senhor dos Aneis pendurados por toda a loja, os gerentes das livrarias respondiam algo como:

- Ah, mas é o Harry Potter, né?

Para o Harry Potter, que vem da Europa, há espaço de sobra. Mas um autor brasileiro, com venda garantida, não pode contar com isso. Para romper esse bloqueio, é preciso ser um Jô Soares, um Paulo Coelho, ou então algum artista. Mesmo assim, eles não têm o destaque que os livros vindos de fora têm.


Este blogueiro não tem nada contra Harry Potter. Ao contrário, gosto muito da série, que revela, entre outras coisas, os meandros das relações humanas, mormente as relações entre o professor e o aprendiz. Gosto muito do Senhor dos Aneis, um livro que conseguiu condensar boa parte da mitologia nórdica, o que não é pouca coisa.

Mas gostaria de ver os autores brasileiros tratados com a mesma deferência dos estrangeiros. Algumas livrarias nos dão a nítida impressão que priorizam os romances vindos da Europa ou dos EUA, mesmo que sejam de baixa qualidade.

É impressionante como ainda temos esse complexo de vira-latas, mesmo com o Brasil sendo respeitado e admirado em todo o mundo, enquanto a Europa naufraga em dívidas. É hora de eliminarmos esse cacoete do passado. Somos uma das nações mais poderosas do mundo. Somos o terceiro país do mundo em acesso à internet, à frente da Alemanha e atrás apenas da China e dos EUA. Enquanto a Europa vai de pires na mão ao FMI, o Brasil se dá ao luxo de fazer duras exigências para autorizar empresas a se instalar em nosso país.

Esperemos que o eBook democratize mais o acesso dos autores brasileiros ao público leitor. Ao que parece, isso tem todas as chances de acontecer. O próximo Natal será, no dizer de alguns, "o Natal dos tablets". Os preços desses computadores ultra-portáteis estão caindo, ainda mais agora com a redução de impostos.

A Europa e os EUA vivem uma crise econômica muito grave. Essa crise, certamente, se refletirá numa crise de criatividade. Teremos menos autores estrangeiros lançando obras com uma megaestrutura de apoio logístico e de marketing. Até nos filmes sentiremos isso. Este ano não tivemos James Bond!! Pura falta de recursos.

Como dizem os chineses, crise é oportunidade. Que esta dificuldade da Europa e dos EUA sejam uma porta aberta para os autores brasileiros ganharem espaço nos corredores das livrarias brasileiras.


sábado, 22 de outubro de 2011

Brasil avança no mundo digital

Eike Batista e o iPad


Saiu na mídia: Eike Batista quer fazer uma parceria com a taiwanesa Foxconn para a produção do iPad no Brasil. "O grupo EBX adora trazer modernidade e eficiência para o Brasil e esse projeto se encaixa perfeitamente nisso", disse o empresário.

Seis estados disputam a sede da nova fábrica da empresa.

Sempre é bom lembrar que será a primeira vez que o iPad será fabricado num país ocidental!!

Ainda haverá muitas negociações, e a parceria pode sair ou não. Mas, de qualquer forma, é muito estimulante ver um empresário de sucesso apostar na força da economia brasileira e, mais especificamente, nos tablets, que estão fazendo (mais) uma revolução no mundo digital.

Eike Batista também é um dos empresários que mais investem em energias renováveis em nosso país.


Brasil em terceiro lugar na compra de computadores

Créditos da imagem: Andy Newson / FreeDigitalPhotos.net


O Brasil continua sendo um dos países do mundo em que o número de computadores aumenta com maior velocidade.

Em 2010, as vendas de computadores cresceram 23,5%. Em poucos anos, passamos do sétimo lugar no ranking mundial para o terceiro posto, atrás apenas dos EUA e da China. Temos cerca de 85 milhões de computadores em uso.

Do total de máquinas vendidas, 48,5% foram de computadores de mesa e 51,5% notebooks. Destes, 69,5% foram comprados para uso doméstico, 25,8% para empresas e 4,7% para instituições do governo.

Com a redução de impostos para os tablets, e também com a fabricação nacional desse equipamento, prevê-se uma explosão da venda de tablets ainda maior do que a de computadores, devido ao preço reduzido.

As pequenas editoras agradecem, já que o tablet é a grande oportunidade para elas.

Amazon no Brasil?

A gigante de vendas começa a negociar com editoras brasileiras a conversão de seus livros para o formato digital. Aventa-se a possibilidade de que, até o início de 2012, a Amazon abrirá uma sede no Brasil.

Uma das explicações óbvias para esse repentino interesse da Amazon e de outras empresas multinacionais no Brasil é o fato de que os EUA e a Europa estão em forte crise, com desemprego e retração drástica do consumo. Numa crise, as famílias cortam o que é "supérfluo", desde a academia de ginástica até os tablets.

Enquanto isso, o Brasil bate recorde atrás de recorde em vendas de computadores.

Um outro dado importante é que o iPad será fabricado aqui. A Amazon é concorrente direto da Apple. Ela não poderia deixar sua rival fazer a festa sozinha em território brasileiro...


domingo, 18 de setembro de 2011

O brasileiro lê pouco?


É comum que as pessoas repitam as frases estereotipadas sobre o Brasil sem pensar se elas são verdadeiras ou não. Num certo mês de janeiro, no passado próximo, o gerenciador desde site-blog estava em uma gráfica, conferindo a prova heliográfica de um livro que seria impresso ali. Em certo momento, o funcionário que me atendia soltou uma dessas frases hipnóticas:

- Pois é, o Brasil só começa a funcionar depois do Carnaval...
Ao que respondi:
- E você, está trabalhando em pleno mês de janeiro?
- Claro que sim! Vou ter que trabalhar até neste fim de semana!
- E a Gráfica, está todo mundo trabalhando?
- Sim, estamos cheios de serviço, não dá pra parar, não!
- E os ônibus que vem para este bairro? Os motoristas estão trabalhando normalmente?
- Ô, se tão! Peguei o ônibus hoje às 5:30 da matina!
- Eu também saí cedo - respondi - Fui à Biblioteca Nacional, um órgão público, e os funcionários estavam todos lá, trabalhando normalmente. Então, o Brasil já está funcionando antes do Carnaval, não é mesmo?
Ele ficou pensativo, por um momento, depois mudou de assunto. Será que saiu de seu transe hipnótico?

Outro paradigma é de que o brasileiro não lê. Mas será que essa também não é uma mentira que, repetida mil vezes, torna-se verdade, como pontificou o ministro da propaganda de Hitler?

Vejamos alguns dados: no Brasil temos cerca de 2500 a 3000 livrarias (não se sabe esse número com precisão). Ou seja, uma livraria apenas para cada dois municípios brasileiros. Esse dado é um indício de que os brasileiros leem poucos livros.

Mas sabemos que há outros pontos de venda, como os sebos. Temos cerca de 3000 sebos em todo o país. Então, somando-se as livrarias e os sebos, há um ponto de venda para cada cidade brasileira. As perspectivas já não parecem tão sombrias, não é mesmo? Ainda mais se imaginarmos que os sebos vendem uma quantidade muito maior de livros que as grandes redes de livrarias.

Um outro dado não pode nos passar despercebido: existem, no país, cerca de 30.000 bancas de revistas. São pontos de venda de livros, revistas, jornais, etc. As maiores são verdadeiras lojas de conveniência.

Portanto, temos 36.000 pontos de venda de publicações, entre livros, revistas e jornais. São cerca de 7 estabelecimentos para cada cidade brasileira. Um para cada 5.000 habitantes. O cenário agora parece bem mais propício à leitura, não é mesmo?

Ao visitarmos uma dessas bancas de revistas mais sofisticadas, vemos que há dezenas de revistas de tricô, dezenas de revistas de artes marciais (há uma de Ai-ki-dô e outra de Hap-ki-dô, lembrando-nos que são artes marciais diferentes). Há revistas de ciência, de religião, de variedades, de regimes, de fofocas, enfim, de uma infinidade de temas. É caso de se perguntar, como diz a música: Quem lê tanta notícia?

Se há público para tantas publicações, é porque o brasileiro lê, sim. Só lê poucos livros. Qual será o motivo dessa preferência por revistas e jornais? Neste espaço só podemos arriscar palpites:
- as escolas brasileiras (tanto as públicas como as particulares) não incentivam a leitura de livros além dos usados no currículo. As exceções confirmam a regra;
- ao ler jornais e revistas brasileiros, o público se acostumou à superficialidade que caracteriza a maioria das publicações.

Sobre esse segundo item, devemos lembrar que nosso jornalismo se espelha bastante no dos EUA, que segue uma linha de superficialidade. Lá, como aqui, evita-se ir muito fundo na análise das notícias, supostamente para não cansar o leitor. É um jornalismo feito para Homer Simpson. Um(a) jovem que comece sua experiência de leitura por esses jornais e revistas terá dificuldade de ler um livro um pouco mais longo, ou um pouco mais profundo. É uma questão de treinamento cerebral.

As publicações noticiosas, na Europa, sempre seguiram outra filosofia, totalmente diferente. Lá, os assuntos abordados são esmiuçados de forma mais detida e profunda, estimulando a reflexão do leitor. Não por coincidência, o índice de leitura de livros na Europa é bem maior do que o registrado nos EUA. Mas, lastimavelmente, a Europa começa, também, a enveredar pelos caminhos falaciosos da superficialidade, seguindo os cânones da mídia estadunidense.

A solução encontrada por alguns editores nos EUA para aumentar a venda de livros foi produzir livros superficiais, que se adequassem ao perfil do leitor, ao invés de tentar mudar para melhor esse perfil. Aqui também iremos pelo mesmo caminho?

Como já dissemos em outros posts desse site-blog, o eBook representa uma oportunidade de ouro para ampliarmos a quantidade e a qualidade do leitor brasileiro. Seu custo reduzido, sua facilidade de produção, podem ser a chance das pequenas editoras mostrarem a que vieram, ajudando a evolução do país.

Que os leitores de revistas tornem-se também leitores de livros.