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domingo, 18 de dezembro de 2011

Tablets e eReaders


Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. Essa expressão bem brasileira deve ser usada quando falamos de eReaders e tablets. Até aqui, este site tem chamado os dois dispositivos de tablets, indistintamente. A partir de agora, vamos mudar isso, separando as denominações, para melhor esclarecimento do leitor.

O que é um tablet?
É um computador portátil, com pequena memória e pequena capacidade de processamento. Em compensação, é extremamente portátil (existe essa expressão?), ainda mais do que um notebook ou um netbook É leve, pequeno o suficiente para caber no bolso do paletó, mas grande o suficiente para permitir uma boa visualização de e-mails, sites e jogos. Tem tela de LED, ou seja, é uma tela de computador em miniatura.

O tablet é usado para jogar, acessar a internet, escrever textos, ver vídeos, etc. Não tem capacidade, no entanto, para uma planilha eletrônica mais pesada, ou para um editor de vídeos, só para citar dois exemplos do que ele NÃO pode fazer. Portanto, o tablet NÃO substitui um notebook, muito menos um PC.

O que é um eReader?

eReader é um tipo especial de tablet. Para falarmos dele, é significativo dizer o que ele NÃO faz:

- eReader não permite assistir vídeos
- eReader não roda jogos
- eReader não tem tem luz na tela
- eReader não mostra cores. A tela é em preto e branco

Falando assim, a garotada que é conectadíssima ao mundo digital logo reclama: "então, não dá pra fazer nada com esse tal de eReader". Na verdade, os eReaders foram feitos para honrar o nome que têm: leitores digitais. Eles foram feitos para ler livros. Sua tela sem luz é agradável como papel. Por não terem luz são mais leves.

Então essa é a diferença entre um tablet e um eReader. Como mostra a imagem acima, até a maneira de segurar acaba sendo diferente. Note-se como o eReader está sendo segurado como se fosse um livro. Repetimos: é possível, sim, ler livros no tablet, mas é mais agradável ler num eReader.

O eReader mais famoso é o Kindle, da poderosa Amazon. Como todos os seus concorrentes, a tela é de e-ink (tinta digital), ou seja, não mostra cores e não tem luz. O problema é quando se trata de um livro com imagens coloridas. Ou contendo vídeos e gráficos interativos, como o eBook do Al Gore, que mostramos aqui. E a tendência é, justamente, a de eBooks que contenham esses elementos que não podem ser aproveitados num eReader...

Mas, no momento, 95% dos eBooks têm apenas textos e uma ou outra imagem. Então, ainda há uma longa vida pela frente para os simpáticos e despojados eReaders.



sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O livro em papel e o eBook

site dessa imagem
Ler eBooks, para mim, tornou-se mais confortável do que ler livros em papel. Essa descoberta fiz recentemente, quando encontrei meu querido livro Introdução à Relatividade Especial, de Robert Resnick, Editora Polígono. Um livro de uma didática ímpar, tornando simples aprender a teoria de Einstein que, afinal, é simples... depois de formulada, claro!

Um livro deve ser seguro com as duas mãos, e mantido como uma letra V não muito aberta, para não esgarçar as costuras. Sei bem que hoje as pessoas chegam a dobrar o livro ao contrário, com a capa e a contracapa se tocando, viradas para dentro, como se o livro fosse uma réles revista. Mas isso destrói o livro.

Meu Introdução à Relatividade Especial não está tão bem conservado, devido às inúmeras mudanças de residência deste 35 anos em que ele está comigo. Mas ainda está com a costura firme, e as páginas ainda com uma boa textura.

Pois bem, comecei a relê-lo. Mas cansei... Meus olhos estão excessivamente acostumados com as telas, e desacostumaram-se do papel. Depois de algumas tentativas de lê-lo, percebi que nem mesmo tenho uma mesa de escritório na qual pousá-lo, para não cansar as mãos. Só tenho a mesa do computador e a da cozinha. Logo pensei: "Se eu o encontrasse em formato digital, seria bom. Colocaria o livro em papel na estante, para poder olhar para ele, de vez em quando, e leria o eBook.

Meu Kindle é tão leve, e posso segurá-lo com apenas uma das mãos. Ler nele é mesmo muito confortável. Utilizo até mesmo a tela do computador para ler, mormente para ler notícias. Então, estava decidido: Einstein me revelaria seus segredos novamente, na releitura do livro. Só que desta vez seria em formato digital, comprado diretamente da editora.

Infelizmente, a Editora Polígono parece não existir mais. Pelo menos, não a encontrei no Oráculo (Google). Ela é mencionada apenas no excelente site de livros usados Estante Virtual. Assim, meu plano de comprar o eBook falhou. Então, quem sabe, farei um esforço para reler o livro em papel mesmo. Einstein vale a pena, e Robert Resnick foi muito feliz ao escrever essa obra.

domingo, 13 de novembro de 2011

A qualidade do livro

O eBook maltratado



Nos últimos tempos, entrei em contato com ótimos eBooks, no Kindle. Mas também com eBooks mal escritos, mal diagramados, com erros de português e de digitação.

O eBook é muito mais do que um livro. Digamos que hoje ele ainda mantém laços com o livro. Mas a tendência é que ele se torne uma forma nova de arte, que mistura música, literatura, cinema e artes plásticas. Isso será possível em breve, com a evolução do formato epub.

Mas deveríamos todos encarar, desde já, como arte, da mesma forma que o livro em papel. Mesmo que não seja literatura, que seja um livro técnico, é arte. Assim, deve ser criado da melhor forma possível, com esmero, poesia e estética.

Erros de português todos cometemos. Para isso existe a cuidadosa revisão. Correndo o risco de ser cabotino, deixo registrado aqui que as revisões da Editora Sucesso são tão cuidadosas que, às vezes, uma única frase é motivo de debate durante 5 ou 10 minutos, até decidirmos por uma solução. (1)

Na década de setenta, durante meu curso de engenharia, estudei a Teoria da Relatividade no excelente livro de Robert Resnick, Introdução à Relatividade Especial. Pois o livro está tão bem diagramado, ilustrado e composto, que até hoje o guardo com carinho, embora já esteja com as folhas amareladas pelo tempo. É um livro técnico, mas também é um objeto de arte.

Os antigos compuseram os livros de pedra e argila que os arqueólogos estudam e guardam. Imagine-se se esses humanos do passado tivessem feito seus livros com displicência, achando que não eram importantes, que eram apenas uns rabiscos no barro. A humanidade sairia perdendo.

Um registro eletrônico provavelmente durará milênios, pois é espalhado por milhares de computadores ao redor do mundo. Então, sejamos carinhosos com os leitores e com os pesquisadores do futuro. Façamos os eBooks, cada vez mais, se aproximarem da perfeição, mesmo que saibamos que nunca iremos alcançá-la.


(1) Neste site, muitas vezes essa revisão não é possível, devido à dinâmica do blog. Por isso, erros aqui surgem em número maior, o que me incomoda sobremaneira, mas estamos procurando agilizar. Pedimos sua compreensão e nossas desculpas.


domingo, 23 de outubro de 2011

Polêmica: A Amazon sequestrou o Android?


Esta matéria é baseada nesta aqui, em inglês: Amazon Kindle Fire Just Hijacked Android


A acusação que o articulista faz ao novo tablet da Amazon, o Kindle Fire, é que o dispositivo usa o Android mas esconde o quanto pode essa informação do usuário. Além disso, a Amazon alterou a aparência do sistema operacional para se adequar ao seu estilo, ao seu design.

A questão filosófica por trás é: se o Android é gratuito, então as empresas podem utilizá-lo à vontade e fazer qualquer coisa com ele? Não é bem assim. Esses casos polêmicos cada vez acontecerão mais, pois os softwares livres e os de domínio público cada vez irão iteragir mais com softwares proprietários e equipamentos específicos de determinadas empresas.

Recentemente, tivemos o caso do Blender, excelente programa de código livre (open source), gratuito, que estava sendo vendido com outro nome por espertalhões digitais.

A questão é: o Android é software livre? Não exatamente, pois há severas restrições impedindo usuários ou empresas de alterar seu código-fonte, ou seja, de alterar o programa. E essa liberdade de alterar é o que caracteriza o software livre. O Kindle é um equipamento específico da Amazon, e o sistema operacional foi direcionado para compras de eBooks e outros arquivos no site da Amazon. Uma empresa gigante como a Amazon não aceitaria usar o Android tal e qual ele é distribuído na Internet. Com certeza essas alterações foram decididas pelos técnicos, pelo departamento de marketing, pelos acionistas.

De qualquer forma, não deixa de ser significativo que a poderosa Amazon tenha sido obrigada a se curvar à tsunami avassaladora do Android. Até aqui, a empresa tinha seu sistema operacional próprio, assim como a Apple tem. São sistemas exclusivistas, ou seja, excludentes. Pouco se comunicam com o mundo "lá fora", onde o Android está no topo da escala evolutiva.

Se foi sequestro ou não, é discutível. Mas a Amazon se rendeu à realidade do mercado. Quem sabe a próxima seja a Apple...


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O eBook e as pequenas editoras - parte 3

Créditos da imagem: Tina Phillips / FreeDigitalPhotos.net
A Amazon prepara-se para lançar, em novembro, um tablet em cores, o Kindle Fire (1). Dessa forma, a empresa faz um movimento para conquistar a parcela de público que estava sendo perdido para o iPad e todos os outros tablets com tela colorida.

Então, mudou o panorama dos tablets. Até agora, a Amazon teve por filosofia fazer um tablet que agradasse, principalmente, o leitor fiel dos livros em papel. O Kindle tradicional é em preto e branco e apresenta um monitor que não emite luz. É a chamada tinta digigal (e-ink). Enquanto isso, todos os concorrentes tinham a vantagem da cor, da navegabilidade, dos vídeos, enquanto a e-ink simplesmente impossibilita que se assista vídeos.

Esse movimento da Amazon mostra claramente como é imperioso, para todos os que estão no mercado de livros, entrar com grande força nesse mundo dos eBooks.

Para as pequenas editoras, como já dissemos aqui, trata-se de uma grande oportunidade de crescer, já que o eBook reduz drasticamente os custos e encurta os caminhos até o leitor.

As providências que um pequeno editor ou um autor precisam tomar:

- frequentar espaços de discussão como este, que se multiplicam pela internet, a fim de tomar um contato maior com o mundo das publicações digitais;

- inteirar-se do mercado, acompanhando as notícias, mas também conversando com familiares e pessoas de seu círculo de relacionamento.

- tomar contato com a tecnologia de produção do eBook, fazendo cursos. Nas empresas pequenas, provavelmente o próprio dono sentar-se-á numa cadeira de aluno. Outra opção é enviar uma pessoa de sua equipe, que tenha algum conhecimento de html, CSS e também de InDesign ou outro software de editoração.

O Ebook ainda é um enigma para muitas pequenas editoras. Mas, como já foi dito aqui, o enigma é aquele da Esfinge egípcia: "decifra-me ou devoro-te".

____________________
(1) Falaremos mais sobre o Kindle Fire num artigo específico.

sábado, 1 de outubro de 2011

O novo Kindle e o iPad



A Amazon tem colocado mais pontos positivos no Kindle a cada nova safra. Estamos já na terceira edição do tablet dessa gigante do mercado editorial. Como o tempo passa! E pensar que algumas editoras ainda estão a pensar se entram ou não no promissor mercado de eBooks...

O Kindle está muito leve (240 g) e seu preço também está bem leve, U$ 140,00, o que dá cerca de R$ 260,00. Se compararmos com o preço do iPad, cerca de R$ 1700,00 percebemos que os produtos da Apple são para poucos, bem poucos mesmo. Nos dias de hoje, isso é um problema. A Europa e os EUA estão em crise. A renda dos estadunidenses, assim como dos europeus, caiu. Não é à toa que as vendas do cobiçado iPad se reduzem sistematicamente ano a ano. Cada vez mais ele é para poucos. Ao contrário, a venda do Kindle cresce consistentemente.

A Amazon, sempre de olho nas necessidades dos clientes, tem um aplicativo gratuito que permite a leitura dos livros comprados em sua loja em computadores, notebooks, smartphones, etc. Bem diferente da Apple. Para ler os livros comprados na loja da Apple fora do iPad é mais complicado. Há uma série de trâmites e truques para conseguir. Encontramos até mesmo vídeos na internet ensinando o processo todo. Êpa, mas será que o leitor está disposto a gastar tempo com isso? Tudo o que ele queria era ler o livro, raios! Ironicamente, num desses vídeos de ajuda, na área de comentários, um internauta reclamou: estou acessando sua página do meu iPhone (o smartphone da Apple) e não consigo ver o vídeo explicativo pois ele está em formato flash, que o iPhone não lê

Constata-se, portanto, que a Amazon deixa seu leitor mais livre. A Apple não. Embora os livros da Amazon estejam em um formato proprietário (tipo de arquivo específico da Amazon), que é o formato mobi, é possível lê-los em seu computador, netbook, etc, e não apenas no Kindle.

E o caminho inverso também é verdadeiro: você consegue, com programas gratuitos e bem simples, como o Calibre, converter livros que estejam em formato pdf, epub, html e outros para o formato mobi e, assim, lê-los no seu Kindle.

O ponto fraco

Mas agora, o outro lado da moeda: o ponto fraco do Kindle. Havíamos dito, em outro post do Criar eBook, que o ponto forte do iPad - que é o fato dele ser caro, chic e sofisticado - era também seu ponto mais fraco. Este mesmo paradoxo, do ponto fraco e forte serem o mesmo, também ocorre com o Kindle. Estranho, não? Abaixo vamos entender melhor essa afirmação.

O Kindle utiliza a tecnologia conhecida como e-ink, ou seja, tinta digital. Sua tela tem duas características marcantes e inesperadas:

1) é em preto e branco;
2) não emite luz!

Ao não emitir luz, a tela do Kindle funciona como se fosse uma folha branca de papel: só é possível lê-lo se você tiver luz no ambiente. É muito, muito diferente de uma tela de LCD ou LED, com sua luz que pode cansar os olhos. Ler no Kindle é muito confortável. Além da vantagem de que mesmo um livro que tenha 1000 páginas pesará 240 gramas, o que é mais confortável ainda. E as letras ficam realmente nítidas.

A ausência de cor tem uma explicação simples: por enquanto, não há tecnologia para exibir cor numa tela de e-ink. Que sirva de consolo o fato de que é o e-ink que permite à Amazon manter um preço tão baixo para o Kindle.

Outra vantagem da tela de e-ink é que o leitor de livros em papel tende a gostar. Ele não sente que está lendo na tela de um computador. Até mesmo o abajur que ele usa para ler na cama é o mesmo que ele usa para ler livros em papel! Essa é uma enorme vantagem nos dias de hoje pois estamos numa fase de transição, do livro em papel para o livro digital (muito embora o livro em papel deva seguir existindo por décadas).

Mas então, onde está o tal ponto do Kindle, afinal? Trata-se da seguinte situação: o eBook está em franca ascensão, e muitos apostam que ele atrairá novos leitores, devido ao seu preço baixíssimo e à sedução dos tablets. Mas o eBook, como já dissemos aqui, não é um livro. Ele é um outro formato, riquíssimo de possibilidades. O comitê internacional que gerencia o formato universal do eBook (formato epub) já se prepara para incluir no eBook pequenos vídeos, sons. E atualmente o eBook já tem, claro, a possiblidade de incluir imagens coloridas em diversos formatos. É um novo universo que se abrirá. E o Kindle estará fora dele, pois a tela de tinta eletrônica (e-ink) não permite cor, e muito menos video.

Então a Amazon, a Apple, a Barnes & Noble (concorrente da Amazon) e todos os fabricantes de tablets estão diante do seguinte dilema filosófico:

1) fabricar um tablet que agrade ao leitor que já lia livros antes do advento dos tablets, ou
2) fabricar um tablet que agrade aos novos leitores, oriundos da era digital.

A tecnologia não permite, ainda, satisfazer aos dois públicos. Qual das opções você, leitor, adotaria?

A Amazon, por hora, escolheu a primeira opção. E está se dando bem. Aliás, muito bem. Mas a comparação é inevitável. Estamos na era das telas coloridas e a tela do Kindle é em preto e branco. Certamente os técnicos da Amazon estão dando tratos à bola para resolver a questão nos próximos anos.

Felizmente, as pequenas editoras não têm que fazer a escolha. Elas podem estar presentes nos dois mundos. Ou melhor, nos três mundos, se incluirmos o livro em papel. É possível lançar os títulos em papel, em formato mobi e em formato epub. Assim, o mesmo livro estará à venda nas livrarias,  no site da Amazon, e também em outros sites. A única restrição que a Amazon impõe às editoras que assinam contrato com ela é a de que o eBook não poderá ser vendido por preço mais baixo em outros sites. Uma restrição bem razoável e compreensível.


A Editora Sucesso, que mantém esta página, tem um serviço de criação de eBooks que deixa ao cliente (autor independente ou editora) a liberdade de escolher onde vender seu trabalho e lhe dá toda a assessoria sobre como fazê-lo.

sábado, 27 de agosto de 2011

Tecnologia

Qual tablet escolher?
Aliás, o que é mesmo um tablet?

Antes de mais nada, é fundamental saber que um tablet não é um computador pessoal. Há coisas que ficam muito difíceis ou impossíveis fazer com ele.

Podemos dizer que um tablet é um dispositivo de lazer. Com ele podemos acessar nossos e-mails, ouvir música, ler muitos eBooks e receber chamadas de texto e/ou voz e/ou imagem pelo Skype, MSN, Google Talk, etc.

Mas há coisas que não se pode fazer num tablet, como usar um programa especializado, fazer uma planilha mais complexa, etc.

Se você quer um tablet para ler eBooks, o Kindle, da Amazon é o mais indicado, apesar de sua tela em preto e branco. A tela do Kindle não emite luz, o que é uma ideia genial, pois torna a leitura de eBooks muito agradável e mais próxima do livro em papel.

As principais vantagens do tablet são sua total portabilidade e a facilidade de utilizá-lo em qualquer ambiente. Ele se conecta à internet sem fio (wireless) e tem o tamanho e o peso de um livro.



Nas próximas matérias, falaremos mais de cada um dos inúmeros modelos de tablet disponíveis no mercado.