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sábado, 1 de outubro de 2011

Em bom português - estrangeirismos

- Senhores, benvindos ao nosso curso in company. Conforme informamos no nosso paper, vamos ter, pela manhã, uma reunião de brain storming, com um coffee break, depois um meeting entre os CEOs. O lunch será no restaurante Italian Food, que é bem próximo da nossa empresa. À tarde, teremos nosso workshop de marketing. Não se esqueçam de trazer os badges, que são necessários para ter acesso à meeting room.

Quantos de nós já nos deparamos com esse palavreado eivado de estrangeirismos ou, mais precisamente, anglicismos. Em certas regiões do Brasil, como São Paulo, palavras em inglês são consideradas de bom gosto, finas, na moda, etc. O sujeito abre uma academia e a batiza de "Body Fit". Ou faz uma liquidação e coloca, na vitrine, "50% OFF".

Não se vê muito esse comportamento no Nordeste, ou no Sul. É coisa mais frequente na região Sudeste, principalmente a cidade de São Paulo. A ponto de termos, por aqui, um restaurante italiano (veja bem, ITALIANO) chamado Italian Food (sic).

Trata-se de um sinal de subserviência, um colonialismo cultural que é inaceitável para aqueles que gostam de um português de qualidade. Nosso idioma é riquíssimo, enquanto que o inglês é uma língua pobre. Afinal, trata-se de um idioma originário de povos bárbaros e sem cultura. E alguns querem trocar palavras em português por termos em inglês!!

A questão é ainda mais séria, pois o uso de estrangeirismos produz, de fato, uma atitude de considerar que o outro povo, aquele mais "desenvolvido" (?) é superior e, por isso, se usa palavras extraídas do idioma do outro.

O ideal é usarmos o mínimo possível de estrangeirismos. Vá lá, não vamos fazer como os portugueses, que dizem "rato" ao invés de "mouse". Há palavras como essa, que já estão incorporadas à nossa cultura e não é razoável tentar extirpá-las. Mas termos como "meeting", "50% off", "lunch", "badge" e outras são absolutamente desnecessárias, já que há palavras em português - reunião, 50% de desconto, almoço, crachá - que podem ser usadas e funcionam perfeitamente nas frases em que as utilizamos.

Aliás, o parâmetro para o uso ou não de estrangeirismo é esse mesmo: quando há uma palavra em português que cabe perfeitamente na frase, deverá ser usada. O mouse deve ser chamado de mouse, pois rato é um mamífero da família dos roedores, e não uma ferramenta do computador. Por outro lado, "50% off" é absolutamente desnecessário.

domingo, 25 de setembro de 2011

Em bom português - gerundismo

"Caso o senhor esteja efetuando a compra,
vou poder estar agendando para que seu produto
possa estar sendo entregue ainda esta semana."

Quantos de nós já não ouvimos essas barbaridades por telefone? Quantos de nós, influenciados por esse erro, passamos também a usar o gerúndio em nosso dia-a-dia?
- vou estar fazendo
- ao invés da construção correta - farei
Supõe-se que essa bobagem tenha se originado numa tradução meia-boca de texto em inglês. O fato é que ela se iniciou em São Paulo, um estado que peca por um forte colonialismo cultural em relação aos EUA. São Paulo é o estado onde um brasileiro abre uma academia e chama de "Body Fit". Onde um outro brasileiro abre um restaurante ITALIANO e o batiza de "Italian Food" (sic).
Independente da origem, aqui vai uma vacina para que não incorramos nesse erro, que alguns linguistas condescendentes classificaram como uma "construção heterodoxa", e não como erro.

Vou estar fazendo
- farei  √

Vou estar viajando
-
viajarei 

Vou estar enviando
-
enviarei 
etc.

O gerundismo se espalhou rapidamente há uns dois anos atrás, de São Paulo para quase todo o Brasil (excetuando-se Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, estados que primam por um português de qualidade).

Felizmente, essa desgraça foi tão combatida na internet e nos veículos de comunicação, que está praticamente extinta.



sábado, 27 de agosto de 2011

Em bom português - zero à esquerda

Zero à esquerda
Além do deselegante "05", ainda por cima "abastessa" com ss!

Antigamente, quando alguém queria dizer que uma pessoa era uma nulidade, dizia que "Fulano é um zero à esquerda". Essa expressão se baseava numa propriedade dos números que conhecemos como algarismos "arábicos" - na verdade, índicos - e do papel do algarismo zero.
Aliás, a invenção do algarismo zero foi uma revolução. Por um bom tempo, a Igreja proibiu o uso dessa notação aritmética, pois percebeu que com ela era muito fácil para o povo fazer cálculos. E povo que sabe fazer cálculos é um povo perigoso para os que querem controlá-lo e dominá-lo.
Mas voltando ao algarismo zero, ele é poderoso quando colocado à direita. Por exemplo, 1 com o 0 à direita torna-se 10. Mas zero à esquerda não vale nada. Tanto faz 1, 01, 001, 0001. Não importa quantos zeros coloquemos à esquerda do 1, ele continua sendo apenas o número 1. Por isso usava-se a expressão "zero à esquerda" para desqualificar uma pessoa.
Então, quando dissermos que o encontro será dia 5 de janeiro, não devemos colocar 05 de janeiro. É desnecessário, é deselegante, é feio. O zero à esquerda só deve ser usado quando tratar-se de preenchimento de formulários, em papel ou na internet. Nesse caso, vale colocar |05|01|2011|, pois o preenchimento eletrônico exige um número determinado de dígitos  (dois dígitos para o dia e para o mês e quatro para o ano). Mas se for num texto, não tem cabimento.
Essa praga do zero à esquerda espalhou-se como fogo em mato seco. Tornou-se, infelizmente, um erro comum.
Em geral, os numerais devem ser colocados por extenso em texto corrido. "Somos em quatro irmãos", por exemplo. Quantias em dinheiro, por outro lado, são, em geral, expressas em numerais.
Já que estamos no assunto, NUNCA escreva hum. Hum está ERRADO. Lamentavelmente, essa grafia foi usada em cheques para evitar falsificações. Mas mesmo nesse caso é desnecessário, pois basta escrever em letras de forma no estilo caixa alta - todas em maiúsculas - para dificultar qualquer malfeito.
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